Filosofia de Vida - e Morte

Tuesday, December 21, 2004

Infinitude II

Volto ao assunto tamanho do universo, numa espécie de fusão de idéias escritas anteriormente, que mostra agora um ponto de vista diferente e, de certa forma, conclusivo.

O Universo é infinito.
Sim, compreendo que tu questione tanta convicção nesta afirmação, porém, esta se dá por uma associação de fatos, concepções, conceitos e conclusões adquiridos:
O Universo não pode acabar em lugar algum, pois a condição para tal seria que algo delimitasse este espaço. No momento em que existe algo delimitando o Universo, o lado de lá da fronteira seria algo diferente dele. E o que é diferente do espaço? (Eis, pois, a relação entre os significados de espaço) O nada. E o nada, mais uma vez, é isento de qualquer capacidade, inclusive a de delimitar algo (pois se delimitasse, seria algo com a capacidade de delimitar, e perderia sua condição de nada). O nada não existe, portanto não pode dividir espaço com o Universo.
Estou de pleno acordo com a possibilidade de não haver matéria suficiente para preencher o espaço infinito, por isso, usa-se novamente o termo vácuo, o espaço com ausência de matéria (como já visto, diferente de nada).
Outras dimensões?
Isto não interfere na infinitude do Universo, embora eu não acredite nelas de qualquer forma.

Fui breve, sim. Acho que tal conclusão não exige mais delongas.
Comenta, peço-te.

Thursday, December 16, 2004

Liberdade I

Bem, primeiramente, quero expressar minha enorme felicidade, pois finalmente estou livre de qualquer tipo de compromisso por um bom tempo, e pra felicidade sua que está lendo, poderei atualizar este blog com mais freqüência. Sim, pedi demissão, acabei o 3° ano... Na verdade, a última sexta-feira foi maravilhosa: eu estava voltando do meu último dia no emprego, muito feliz por me livrar daquela coisa estressante - embora remunerada - e passei no colégio para ver como tinha ido na primeira etapa das recuperações anuais. Então, uma alegria enorme me subiu pelo esôfago quando vi que estava eu aprovado! Mandei uma mensagem pra várias pessoas, sendo que uma delas (Rafael, tu é o cara!) me respondeu dizendo: "Sim, e tu passou no vestibular também, como nós! Parabéns!". Cara, foi muita alegria!
É, uma nova etapa surge agora... Acho que vou me dar bem, e muito feliz com o curso de Licenciatura em Filosofia em que fui aprovado na Unisinos.


Bem, estava lendo algumas coisas sobre livre-arbítrio por aí, e resolvi postar alguma coisa declarando meu ponto de vista (que egocentrismo):

É possível ver que certas ações do nosso corpo são involuntárias, obviamente. Instintos sexuais, dependências físicas, são exemplos de atos digamos externos que não controlamos (me refiro a externo tendo como o conceito de interno as funções digestivas, nervosas, etc.).
Porém, existem aqueles atos conscientes, voluntários. (Eu acho que deveria ter postado algo sobre o conceito de consciência anteriormente. Farei no próximo.)
Agora: como definir um ato consciente? Apelando pra filosofia espacial (se esta existe), nossos atos são distintos à ação do universo como um todo?
Explicar-me-ei:
Digamos que eu tenha diante de mim uma simples fruta. Existem vários atos "conscientes" que eu posso realizar com essa fruta, mas seja ele qual for, será irreversível, único. Explorando mais o pensamento: eu posso comer esta fruta, posso não comê-la. Seria primeiramente um ato voluntário, consciente. Se eu resolver comer naquele momento, não poderei mais não comê-la. Onde quero chegar: qualquer ato realizado no conceito de livre-arbítrio, de qualquer forma, é irreversível. O livre-arbítrio nos dá várias opções, no entanto, só escolhemos uma. (Obviamente, poderia eu comer a fruta após ter decidido não comer, mas no instante em que eu não comi, não pude mais comer.)
Então, será que foi mesmo livre? De qualquer forma, acabamos só escolhendo uma ação. Será que esta já não nos estava designada? Podemos ter a consciência de poder escolher, mas como só escolhemos uma, então é possível que esta não tenha sido feita por vontade própria, mesmo que tenhamos pensado de forma contrária.
Agora, voltando à "filosofia espacial": o universo é como um grande ciclo (vou me lembrar de escrever sobre isto também). Então, será que nossas escolhas estão alheias a este ciclo? Ou será que todas as nossas ações são involuntárias, alheias apenas à nossa consciência, e pré-determinadas pelo existir do Universo?
O conceito de livre-arbítrio é vulnerável.
Perdoem-me o momento insano, mas de certa forma, haveria uma maneira de provarmos a existência do livre-arbítrio: voltarmos no tempo. Sim. Se pudéssemos voltar no tempo, poderíamos tirar de duas opções duas escolhas, e assim, ao menos uma delas seria alheia ao ciclo universal. Se bem que assim, conforme um certo filme, criaríamos um universo alternativo, um seguindo o caminho da primeira escolha, e outro seguindo o da segunda. O tempo é muito paradoxal, e acho que esse pensamento não levará a lugar algum.
Para nós, humanos habitadores do universo (eu sei que o certo seria "habitantes", mas a primeira cria certa influência forte na frase), o livre-arbítrio é real, pois nossa consciência assim o considera, por podermos escolher a maioria de nossas ações. Porém, somos parte de um grande ciclo chamado Universo, e não sabemos qual a nossa ligação exata a ele, nem a de nossas ações mais simples. Nós escolhemos o que fazer, mas esta escolha influencia de certa forma em todo o ciclo, portanto, é possível conceber que nossas escolhas são pré-efetuadas pelo Universo, do qual somos parte. Então, se somos nós ou o Universo, pouco difere, pois somos todos um só. (Viu o ciclo?)

Às vezes eu até queria, mas não sou o dono da verdade. Utiliza o teu livre-arbítrio e comenta. Juntos, pensamos melhor.

Monday, August 23, 2004

Infinitude I

Muitas vezes eu olho pro céu.
Vejo estrelas... Lua... Aquele imenso manto azul...
O Universo parece não ter fim...
Será mesmo?
Certamente é enorme, mas infinito é um termo muito forte. Como dizer com certeza o tamanho do Universo? Ele pode ser simplesmente do tamanho que o vemos a olho nu, um simples campo demarcado e limitado. Certas teorias afirmam que ele é cíclico. Se fôssemos numa linha reta em direção ao céu, acabaríamos por dar a volta em sabe-se lá o que, e sairíamos do outro lado, voltando à posição original. Ou vai ver que ele é infinito mesmo...
Ainda estou em dúvida se acredito que existem mesmo outros planetas. (...)
Não há prova concreta em toda a face da Terra de que existam outros planetas, ou de que até mesmo a Lua seja algo "tocável". Não me diga que o tal do Apollo esteve lá, porque aquelas montagens até eu faria melhor!
E se realmente o céu for apenas um pano esticado sobre nossas cabeças? Os antigos tinham muita sabedoria, por que não estariam certos nessa afirmação?
Acho que nunca algo irá me convencer do que existe, do que não existe, do que é ou não infinito. O mundo é simplesmente um amontoado de incertezas. Totalmente questionável e contraditório.
Acho que só me resta viver e aceitar o mundo como está.
Mas isso seria anti-filosófico! Não! Não posso me entregar ao ócio de não pensar no mundo como algo questionável!
A vida não responde minhas perguntas, tenho que buscar as respostas por mim mesmo.
Isso sim, é um belo conceito de infinitude. A busca do saber.
O ser humano perde seu conceito de sapiens ao se entregar às incertezas da vida.
Resista. Pense. Filosofe. Questione.

Thursday, August 12, 2004

Linha do tempo - o início

Há algum tempo eu tenho uma certeza na minha vida: o mundo não pode ter surgido do nada.
Simples! O que é o nada?
O nada em si é a total ausência de qualquer forma de "ser". O nada não é, porque no momento em que algo tem a capacidade de ser, ela existe, e deixa de ser nada. O nada é uma ausência até mesmo da capacidade de existir.
Mas após tudo isso, vem aquela pergunta (que já me foi feita por várias pessoas) que não quer calar:
- Mas então, o que é o vácuo?
Eu respondo que vácuo é um espaço com ausência de matéria. Mesmo assim, ele é alguma coisa, é um espaço, por mais vazio que seja. O nada nem ao menos é esse espaço sem matéria. Ele não é nada!
Coisa nenhuma pode ter surgido do nada, pois o nada não tem a capacidade de gerar ou criar. Se tivesse, o nada deixaria de ser nada e se tornaria algo com a capacidade de gerar ou criar.
Assim sendo, algo sempre existiu. O quê? Ninguém sabe.
É nesse ponto que a linha do tempo nos deixa em "estado de parafuso". Pensar no algo que sempre existiu, nos faz ver que ele ali está desde o infinito. É impossível estabelecer um marco de início desse algo. Se você pensar na época mais remota possível, esse algo já existia infinitamente antes.
O tempo é um paradoxo. É uma contradição. Ao mesmo tempo em que marca o início e o fim de tudo, ele mesmo não tem início nem fim.
O tempo é algo tão obscuro quanto o próprio universo ou a vida. Não pára, não começa e não termina.
O tempo tem por si só total abstinência do seu próprio conceito.

Monday, August 09, 2004

Imortalidade?

Quem nunca se sentiu imortal?
Muitas vezes sentimos como se pudéssemos nos atirar do quinto andar de um prédio, cair, e depois continuar andando... Nunca sentiram isso?
Como não temos idéia de como seja "morrer", a morte pode, muitas vezes, nos parecer inofensiva.
Eu imagino como seria no começo dos tempos... As pessoas sem nenhuma noção do que matava e o que não matava... Imagine: um homem, no topo de um penhasco, olhava para baixo e pensava: "Bah, vou ir rolando que vai mais rápido!!", e lá ia ele, e se esborrachava no meio das pedras, chegava mais do que morto, sem saber por que cargas d'água morreu.
Mas mesmo com nosso conhecimento da morte, ainda podemos nos achar imortais.
Como encarar a morte?
Ela pode ser vista como se passássemos ao mesmo estado em que nos encontrávamos antes de nascer, ou seja, 'voltássemos a não existir' (muito estranho pensar no mundo sem nossa vida); ou talvez como se simplesmente tivéssemos conscientes de que estaríamos deitados em um caixão, e sem conseguir realizar nenhum tipo de ação; como um desmembramento do espírito em relação ao corpo, que continuaria habitando o mundo; também como uma nova vida, através de um novo nascimento, conhecida como 'reencarnação'; ou então como uma passagem para um outro estágio, que particularmente é o que eu acredito, chamado de 'ressurreição'.
Esses três últimos expressam, de certo modo, uma forma de imortalidade, e nos fazem ver a falta de sentido que a vida teria se simplesmente morrêssemos e voltássemos ao pó do qual viemos.